Estratigrafia sísmica e contexto bioestratigráfico das progradações de coquinas no Campo de Mero e seu impacto na paleocirculação do proto-oceano Atlântico Sul
DOI:
https://doi.org/10.70369/y6te4086Palavras-chave:
Sismoestratigrafia, Bioestratigrafia, Formação Itapema, Paleocirculação, Oceano Atlântico SulResumo
A fase exploratória experimentada entre os anos de 2013 até 2018, no então bloco de Libra, contou com a perfuração de poços de delimitação e constantes reprocessamentos sísmicos. Mediante à dificuldade de previsão de ocorrência das coquinas da Formação Itapema, à medida que poços eram perfurados na estrutura e os novos reprocessamentos resultavam na melhoria contínua da imagem do reservatório, a estratigrafia sísmica do Campo de Mero foi refinada. Os depósitos de coquinas foram mapeados de maneira a permitir a separação em dois grandes sistemas de clinoformas, com características sísmicas particulares. Utilizando os dados bioestratigráficos, adquiridos nos poços exploratórios perfurados, verificou-se a correlação entre as biozonas encontradas e as geometrias sísmicas previamente mapeadas. Esta correlação, associada aos resultados dos poços, validou o método de mapeamento adotado. A análise do intervalo mostrou a existência de diferentes arranjos estratigráficos dos depósitos de coquinas ao longo da estrutura noroeste de Mero. As geometrias dos depósitos e sua associação bioestratigráfica sugerem a presença de coquinas mais antigas (NRT-009.3, NRT-009.1 e NRT-008.1) nas porções estruturais altas situadas a sul do setor NW de Mero, enquanto coquinas mais novas (OS-1020) estão localizadas na porção central do setor NW de Mero. A verificação desta associação liga, intimamente, os depósitos de coquinas e as mudanças paleoambientais que se sucederam durante o processo de rifte que culminou na abertura do Oceano Atlântico Sul. As direções das clinoformas observadas sugerem uma mudança na ação de correntes superficiais e de fundo ainda durante o Jiquiá, podendo também representar reflexos da variação do nível de base do sistema, ou ambos os processos conjugados. O mapeamento foi também importante na separação dos horizontes internos observados na Formação Itapema. Desta maneira, o estudo contribuiu para o entendimento da evolução dos diferentes cenários ambientais que resultaram, localmente, em um empilhamento superior a 500 metros de depósitos de conchostráceos, dispostos em um arranjo estratigráfico singular na natureza.
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