Evolução sedimentar da Formação Alagamar na porção sudeste da Bacia Potiguar, Brasil, com base em perfis espectrais de raios gama
DOI:
https://doi.org/10.70369/p1a8w842Palavras-chave:
raios gama espectral, proxies paleodeposicionais e paleoambientais, leques aluviais, radioatividade natural, bacia terrestreResumo
A Formação Alagamar desempenha um importante papel nos sistemas petrolíferos da Bacia Potiguar, pois pode ocorrer como reservatório, geradora e/ou selo. Apesar dessa importância, a maioria dos estudos se concentra em seu registro bioestratigráfico, havendo pouca discussão sobre seu papel na produção de hidrocarbonetos. Este estudo investiga a evolução sedimentar da Formação Alagamar na porção sudeste da bacia, por meio de correlações detalhadas de perfis de poço e identificação de estágios de leques aluviais. Utilizando perfis de gama espectral (SGR), foi identificada uma sequência estratigráfica composta por cinco estágios, cada um definido por características litológicas e geoquímicas distintas. Os estágios inferiores (1–3) apresentam feições típicas de ambientes continentais, moldadas por variações no suprimento sedimentar e na atividade tectônica, com um padrão Th/K decrescente para o topo. Altas razões Th/U indicam condições oxidantes, enquanto variações nas concentrações de Th refletem a influência tectônica na sedimentação, já que o Th está associado a fontes detríticas e proximais. Os estágios 4 e 5 marcam uma transição para condições marinhas, evidenciada por menores razões Th/U e pela presença de depósitos marinhos delgados em ambientes mais redutores, acompanhados por um aumento no teor de folhelho. Essas mudanças indicam uma transição de ambientes deposicionais continentais para marinhos. O modelo evolutivo proposto oferece uma estrutura abrangente para interpretar o desenvolvimento sedimentar da Formação Alagamar, enfatizando a interação entre tectonismo, suprimento sedimentar e mudanças ambientais. O contraste entre os estágios destaca a heterogeneidade dos ambientes deposicionais na área de estudo e reforça o valor da integração de dados geológicos, geoquímicos e tectônicos. Além disso, esses proxies possibilitaram o estabelecimento de um zoneamento da formação, fornecendo suporte relevante para as atividades de exploração e produção de hidrocarbonetos na região.
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